Frases de Escrituras Tantricas

Maio 9, 2009 at 3:35 pm (Introdução, Tantra shástras)


Agamas


Âgamas e Tantras

“A expressão Tantra é um nome genérico para escrituras pertencentes aos ‘Âgama’, ‘Tantra’ e ‘Samhitâ’ que referem-se a tratados teológicos discutindo códigos de disciplina e culto entre as diferentes seitas religiosas e seus pontos de vista metafísicos e místicos.” (History of Sanskrit Literature).
Segundo o Kulârnava Tantra, para cada Yuga (era), foi criado um tipo particular de escritura:
Krte shrutyukta âcârastretâyâm smrti-sambhavah.
Dvâpare tu purânoktah, kalâvâgamasammatah.
“Se shruti (Vedas) é a escritura para a Satya-Yuga, smrti para Treta-Yuga, os purânas para Dvâpara-Yuga, os âgamas (Tantras) são para a presente era ou Kali-Yuga.”
(Kulârnava Tantra, em A. Avalon, Shakti and Shakta, p.7)

“Os âgamas, que explicam as regras de conduta de seitas shivaístas (e shaktas) e se referem a tradições existentes desde tempos imemoriais, são tidos, senão em sua forma, em seu conteúdo, como mais antigos que os Vedas.(…)Esses trabalhos nunca foram realmente integrados aos textos sagrados do hinduísmo. Por serem considerados textos para iniciados, eles nunca foram amplamente divulgados. Muitos ainda não foram publicados e são mantidos secretos. De qualquer maneira, sua transmissão oral é a única considerada válida. A escrita é, em muitos casos, proibida ou, pelo menos, tida como perigosa, uma vez que certos ensinamentos só devem ser transmitidos àqueles que são dignos deles. Além disso, a escrita não serve à transmissão de fórmulas mágicas (mantras). ‘Porém, durante o longo período em que o shivaísmo esteve banido, os âgamas tiveram de ser transcritos, a fim de que os shivaístas pudessem ter textos próprios que fossem tão sagrados quanto os Vedas dos ortodoxos, e pudessem ter regras de disciplina bem estabelecidas relativas à religião.’
(C. V. Narayana Ayyar, Shaivism in South India, p. 71).”
(Alain Daniélou, Shiva e Dioníso, p.34)

“Nos Vedas (Rigveda X, 71.9, Atharvaveda X, 7.42), o termo ‘tantra’ parece ser usado para denotar uma máquina de tecelagem, um tear. O mesmo sentido da palavra pode ser encontrado no Taittiriya Brahmana (11.5.5.3). A palavra tantraka ocorre no Ashtadhyayi como um derivado de tantra, e significa um tecido tirado do tear.
No Shatapatha Brahmana e Tandya Brahmana, ‘tantra’ denota a parte principal ou essência de uma coisa. Talvez, nesta época, Tantra representasse a quintessência dos Shâstras.”
(S.C. Banerji, A Brief History of Tantra Literature, p. 1)

“A palavra ‘tantra’ foi derivada no Kashika-Vrtti (7-2-9) da raiz ‘Tan’, ‘espalhar, difundir’(…)
De acordo com esta derivação Tantra é aquela escritura cujo conhecimento é difundido:
tanyate, vistâryate jnãnam anena, iti tantram
O sufixo ‘tra’ vem da raiz ‘salvar’. O conhecimento que é difundido (tan) e que salva (tra).(…) O Kâmika Âgama da tradição Shaiva Siddhanta (Tantrântara Patala) diz:
tanoti vipulân ârthân tattvamantra samanvitân
Trânanca kurute yasmât tantram ityabhidhîyate
‘É chamado Tantra porque proclama grande conhecimento relativo a Tattva e Mantra e porque salva (libera o ser humano da escravidão)’”
(John Woodroffe, Shakti and Shakta, p. 34)

“De acordo com H. P. Shastrî, Tantra significa ‘redução’. Ele tenta reduzir, a algo parecido a fórmulas algébricas, os mantras que, de outro modo, seriam muito longos. Alguns derivam Tantra de ‘tanu’(corpo), sendo assim chamado pois salva o corpo através de práticas yóguicas. Outros derivam a palavra da raiz ; ‘trai’ (salvar) e consideram tantra o shâstra que dá proteção a seus seguidores. Outra maneira de derivar ‘tantra’ é da raiz tantri (explicar) ou tatri (entender). “
(Banerji, idem)

“No Kulârnava Tantra, Shiva diz a Pârvati que não há diferença entre a filosofia religosa do Tantra e a verdade do Veda:
tasmâti vedâtmakam shâstram
viddhi kaulâtmakam priye.
(‘Portanto, Ó querida, saiba que a Escritura que é da natureza do Veda é da natureza do Tantra’).”(Mahadevan, Outlines of Hinduism, p.180)

“Um Tantra completo geralmente consiste em quatro partes: conhecimento (jñana), meditação (yoga), ação (kriyâ) e conduta (charyâ). Embora não seja possível estabelecer uma linha de demarcação entre Âgama, Tantra e Samhitâ, é comum referir-se à escritura sagrada dos Shaivas (seguidores de Shiva) pela expressão Âgama, enquanto Tantra é tido como a escritura sagrada dos Shaktas (seguidores de Shakti, a Deusa) e Samhitâ dos Vaishnavas( seguidores). (…) Os tantras vieram substituir os Vedas quando mais tarde se descobriu que a execução de um sacrifício de acordo com os ritos védicos era praticamente impossível devido à sua rígida ortodoxia. Assim os Tantras prescreviam métodos menos complexos que se adequariam não somente às classes superiores mas também aos shudras e às mulheres que não tinham acesso às cerimônias védicas.”(History of Classical Sanskrit literature, p.47)

“O Hinduísmo popular é grandemente influenciado pelos Tantras. Rituais domésticos e nos templos, jejuns e festivais seguem principalmente as indicações dadas nas escrituras tântricas. Enquanto há restrições de casta, etc, em relação aos ritos védicos, os Tantras não fazem tais reservas. Eles são abertos a todas as castas e a ambos os sexos. O Gautamîya Tantra declara:
sarva-varnâdhikârash cha
nârinâm yog ya eva cha
(‘Todas as castas são aptas; e as mulheres, também, são competentes.’)”
(Mahadevan, Outlines of Hinduism, p.180)

Shâkta Tantra
(T.M.P Mahadevan, Outlines of Hinduism, p. 203-206)

“De todos os cultos tântricos, a tradição dos Shâkta é a que mais tem sofrido críticas, em razão de um entendimento e práticas errôneos. Muitos vêem neles somente ‘lascívia, mistério e magia negra, superstições tolas e vulgares’. Mas estudando-se mais profundamente os Shâkta Tantras com o propósito de entendê-los, encontra-se muito sentido nos princípios neles ensinados.

Filosoficamente, o Shâkta-darshana (filosofia, ponto de vista) é um tipo de não-dualismo. A realidade, de acordo com ele, é não-dual (advaita); é da natureza da Existência-Consciência-Beatitude (saccidânanda). É nirguna, isto é sem atributos, no sentido que não há distinções nela. Nada é real além dela. Todas as coisas são idênticas a ela. A realidade não-dual manifesta-se como o mundo de pluralidade através do poder de mâyâ. Até este ponto, o Advaita do Shaktismo está em acordo com o de Shankara (Vedanta clássico). Mas, enquanto para Shankara mâyâ é o princípio de ilusão que vela o verdadeiro Brahman (Ser Universal) e projeta-se no mundo irreal, para o Shaktismo, mâyâ é um poder real, manifestando-se na forma do universo diversificado. A esse respeito,o ensinamento dos Shâkta é idêntico ao do Shivaísmo de Kâshmira. Ambos consideram a realidade última como sendo Shiva-Shakti, Consciência-Poder. Shiva é o princípio estático da consciência enquanto Shakti é o princípio cinético. Os Shâkta Tantras representam esta verdade pelo célebre provérbio, ‘Shiva sem Shakti é shava (cadáver)’ e pela figura de cinco cadáveres de Shiva sustentando o trono da Mãe do Mundo, nas deslumbrantes florestas da Ilha das Pedras Preciosas (Manidvîpa), cujas areias douradas são banhadas pelo Oceano da Imortalidade (amrta).

Enquanto Shiva é a fundação básica da criação, Shakti é seu princípio dinâmico, móvel. Há dois aspectos de Shakti, vidyâ ou chit-shakti e avidyâ ou mâyâ-shakti. Chit-shakti é da natureza da Iluminação e Consciência (prakâsha). Mâyâ-shakti é a mesma consciência que oculta a si mesma e projeta-se no mundo. É a potência do vir-a-ser, a semente da evolução (vimarsha). Através de mâyâ, o Um torna-se Muitos, o Infinito torna-se finito, o Supremo Espírito torna-se o mundo de Mente, Vida e Matéria. A evolução não afeta, realmente, a natureza de Shiva, que não é somente da forma do universo (vishvamaya) mas está além dele (vishvottîrna).

Em um mundo dominado por conceitos masculinos e com tendências profanas, a ênfase da filosofia Shâkta na maternidade de Deus é fascinante. É necessário ressaltar, no entanto, que Shakti é mulher somente figurativamente e simbólicamente. Shakti é Deus como o princípio de produtividade; e o Shâkta dá a Ele a forma feminina para propósitos de culto. Na verdade, segundo sua filosofia, a realidade última nem é masculina nem feminina. Um hino dedicado a Shakti o Mahâkâla-samhitâ diz:
‘Tu não és nem menina nem donzela nem velha. Na verdade, tu não és nem feminino nem masculino nem neutro. Tu és inconcebível, poder imensurável, o Ser de tudo que existe, livre de toda dualidade, o supremo Brahman, acessível somente pela Iluminação’.

Dhyâna de Brahman
“No lótus de meu coração, eu contemplo a Divina Inteligência,o Brahman sem distinções e diferença, que pode ser conhecido através de Hari, Hara e Vidhi (Brahmâ), a quem os yogîs se aproximam em meditação. Ele que destrói o medo do nascimento e da morte, que é Existência (Sat), Inteligência (Chit), a Raiz de todos os três mundos.”
(Mahanirvana Tantra, cap.II, 50)

Dhyâna de Shiva
Em um estado tranquilo, possuindo o resplendor de dez milhões de Luas; vestido com peles de tigre; usando o fio sagrado feito com uma serpente; Todo o seu corpo é coberto com cinzas; usa serpentes como ornamentos; Suas cinco faces são das cores vermelho-escuro, amarelo, rosa, branco e vermelho, com três olhos cada; Sua cabeça é coberta com cabelo emaranhado; Ele é Onipresente; Sustêm Gangâ (o rio Ganges) em sua cabeça, e tem dez braços; em Sua fronte brilha a Lua crescente; Em Sua mão esquerda, Ele segura o crânio, o fogo, o laço, o Pinâka (arma) e o machado, e em Sua mão direita, o tridente, o raio (vajra), a flecha e as bençãos; Ele está sendo louvado por todos os Deuses e os grandes Sábios; Seus olhos estão semi-abertos pelo excesso de êxtase; Seu corpo é branco como a neve, a flor Kunda e a Lua; Ele está sentado em um Touro; Noite e dia, ele é rodeado em ambos os lados pelos Siddhas (libertos), Gandharvas (músicos celestes) e Apsarâs (ninfas celestes), que cantam hinos em Seu louvor; Ele é esposo de Ûma; o dedicado Protetor de Seus devotos.
(Mahanirvana Tantra, cap.14, 32-38)

Dhyâna da deusa Târâ
“Firme, com o pé esquerdo à frente e sobre um cadáver, ela gargalha. Transcendentes, suas mãos seguram uma espada, um lótus azul, uma adaga e uma tigela de esmolar. Ela solta seu grito de guerra: Hûm! Seu cabelo escuro trançado está preso por serpentes azuis venenosas. É assim que a apavorante Târâ destrói a inconsciência nos três mundos e os leva em sua cabeça para outra guarda.”
(Târâ-Tantra, em Louis Renou, Hinduísmo, p.129-130)

Gautamîya Tantra
Pûjâ (oferenda) interior

“A maneira que o culto exterior é convertido em interior é descrita no Gautamîya Tantra. Depois de invocar a imagem da Deusa no lótus do coração, deve-se ‘oferecer o coração como o assento de lótus da Devatâ (Divindade); oferecer o néctar divino do lótus (chakra) Sahasrâra (topo da cabeça) como a água que lava Seus pés. Oferecer éter (espaço) como Suas roupas, o princípio do olfato como perfume, a mente como flor, as energias vitais do corpo como incenso, o princípio da luz como luminária. Oferecer a Ela o oceano de néctar como alimento, o inaudível som do coração como sino, o princípio do ar como leque e abanador; oferecer a atividade dos sentidos e as agitações da mente como dança. Para perceber o pensamento divino, oferecer estas dez diferentes flores (do espírito): liberdade da ilusão, do egoísmo, do apego, liberdade da insensibilidade, do orgulho, da arrogância, da hostilidade, da perturbação, da inveja e da voracidade. A suprema flor da inofensividade, a flor do controle dos sentidos, da piedade, do perdão e do Conhecimento.’ Estes são os quinze sentimentos interiores oferecidos no pûjâ.”
(Philip Rawson, The Art of Tantra, p.50)

Vijñanabhairava
(versos 14-17)
traduzido por Jaideva Singh

“Onde quer que a mente vá, seja em direção ao exterior ou em direção ao interior, em todo lugar há o estado de Shiva. Uma vez que Shiva é onipresente, onde pode a mente ir (para evitá-lo)?”

Bhairava descreve o aspecto transcendente (nishkala) do Supremo:
“Parâvasthâ (o estado supremo) de Bhairava é livre (unmukta) de todas as noções a respeito de direção (dik), tempo (kâla), nem pode ser particularizado (avisheshini) por algum espaço definido (desha) ou designação (uddesha). Na verdade (paramârthatah) ele não pode nem ser indicado (vyapadeshtum ashakyâ) nem descrito em palavras (akathyâ).14

Pode-se tornar consciente dele apenas quando se está completamente livre de todas construções-pensamentos (vikalponmukta-gocharâ). Pode-se ter uma experiência dessa beatitude em seu próprio
eu interno ( quando se está completamente livre do ego, e estabelecido em pûrnâhantâ, na plenitude da consciência do Ser).
O estado de Bhairava que é repleto de beatitude (vinda) da não-diferença em relação ao universo (bharitâkâra) é Bhairavî ou Shakti of Bhairava.15

Na verdade, esse estado de Bhairava deve ser conhecido como Sua natureza essencial, imaculada (vimalam) e presente em todo o universo (vishvapûranam). Este sendo o estado da Realidade Suprema, quem pode ser o objeto de adoração, quem deve ser propiciado com a adoração?16

Esse estado nishkala de Bhairava que é celebrado desta forma é o estado supremo. É chamado Parâ Devî, a deusa suprema, parâ ou suprema não somente pelo nome, mas por que essa é na verdade sua forma superior (pararûpena).17″

Vishnu e Shiva são um só
“Mahavishnu e Sadashiva também são um. Como diz o Sammohana Tantra (Ch. VIII), ‘Sem Prakrti o Samsara (mundo) não pode existir. Sem Purusha o verdadeiro conhecimento não pode ser alcançado. Portanto ambos devem ser adorados; com Mahakali, Mahakala.’ Alguns, diz o texto, falam de Shiva, alguns de Shakti, alguns de Narayana (Vishnu). Mas o supremo Narayana (Adinarayana) é o supremo Shiva (Parashambu), o Nirguna Brahman, puro como cristal. Os dois aspectos do Supremo refletem um no outro. O Reflexo (Pratibimba) é Maya de onde nascem os Senhores do Mundo (Lokapâlas) e os Mundos. A Âdya Lalitâ (Mahashakti) assumiu uma vez a forma masculina de Krishna e uma outra vez a forma de Rama. (Ch.IX) Pois todos os aspectos estão em Mahakâlî, una com Bhairava Mahakala, que é Mahavishnu. ‘É somente um tolo’, diz o texto, ‘que vê alguma diferença entre Rama e Shiva’.” (Woodroffe (A.Avalon), Shakti and Shakta, p.36)

Kularnava Tantra
O Kularnava Tantra é grandemente estimado pelos tântricos da escola Kaula. A palavra Kularnava significa ‘oceano de Kula’. Este Tantra focaliza Urdvhamnaya ou Tradição Superior, correspondendo a uma das cinco faces de Shiva. (Mike Magee)

“Neste mundo estão incontáveis massas de seres sofrendo toda forma de dor. A velhice espreita como uma tigresa. A vida se esvazia como se fosse a água de um pote quebrado. A doença mata como os inimigos. A prosperidade é apenas um sonho; a juventude é como uma flor. A vida é vista e se vai como o relâmpago. O corpo nada mais é que uma bolha d’água. Como então alguém pode saber disso e mesmo assim permanecer satisfeito? O Jivatma passa pelos lakhs de experiência, entretanto somente como ser humano ele pode obter a verdade. É com grande dificuldade que se nasce ser humano. Portanto, é um suicida aquele que, tendo obtido um excelente nascimento, não sabe o que é para seu bem. Há alguns que tendo bebido o vinho da ilusão estão perdidos em buscas terrenas, não percebem o vôo do tempo e não são comovidos pela visão do sofrimento. Há outros que caíram no poço profundo das Seis Filosofias – adversários fúteis lançados ao deslumbrante oceano dos Vedas e Shastras. Eles estudam dia e noite e aprendem palavras. Alguns ainda, fascinados pelo conceito, falam do pensamento Umani de forma nenhuma percebendo-o. Meras palavras e conversa não podem dispersar a ilusão do errante. A escuridão não é dispersada pela menção da palavra ‘candeeiro’ . O que há então há fazer? Os Shastras (escrituras) são muitos, a vida é curta e há milhões de obstáculos. Portanto, que a essência deles seja compreendida, assim como o Hamsa (o cisne divino) separa o leite da água com a qual estava misturado.” (Kularnava Tantra, cap I, cit Shakti and Shakta, p.293)

“Como Vishnu entre os deuses, como o sol entre as luzes celestes, como Kashi entre os lugares sagrados de banho, como a pedra filosofal em relação ao ouro e assim por diante, assim como o Meru está para as montanhas, assim como o sândalo está para as árvores, assim como Ashvamedha está para os sacrifícios. Como um diamante está para um seixo, assim como a doçura está para outros sabores, assim como o ouro entre os metais, assim como a vaca está para os quadrúpedes, assim como o cisne está para os pássaros, assim como o estado de sadhu está para diferentes ashramas, assim como um brahmin está para (outros) varnas, assim como um rei está para o homem, assim como a cabeça está para os membros, assim como o musk está para as fragrâncias, assim como Kanchi está para cidades, assim, de todos os caminhos, o Urdvhamnaya é o melhor.”
(Kularnava Tantra, cap 3, trad. Mike Magee)

“Nem a posição de lótus nem o fixar o olhar na ponta do nariz são Yoga. É a identidade de Jivâtma (o ser individual) e Paramâtma (o ser supremo) que é Yoga.”

“Diz-se que o iogue não pode gozar (do mundo) e quem dele goza não pode conhecer o Yoga; mas na via dos Kaula existem ao mesmo tempo, Bhoga (gozo das experiências do mundo) e Yoga.”

No Kularnava Tantra, Shiva se refere de forma precisa ao verdadeiro espírito do Tantra, esclarecendo os possíveis desvios que possam surgir em seu nome: “Beber até intoxicar-se, comer carne e contemplar um rosto formoso, naõ é o caminho que deves seguir. Muitos pensam erroneamente em nome do Tantra, enganados e enganando a outros, e atuam equivocando-se, desviando-se dos preceitos dos Mestres. Se bebendo se alcançasse a plenitude, todos os bêbados alcançariam a Perfeição. Se comendo carne se obtivesse o Estado Supremo, os carnívoros de todas as espécies obteriam os Méritos Sagrados. Se a Liberação viesse pelo copular, todos os animais se libertaríam pelo contato com o outro sexo. Não é o caminho do Tantra que tens que denunciar, mas sim aqueles que não o seguem em seu verdadeiro espírito”.

“Medite no lótus do seu coração que no centro do oceano de néctar há uma bela ilha. Na floresta de árvores Aeon, há um bonito dossel feito de nove jóias. Ali, em um trono, em um assento triangular no centro de um lótus está o Senhor Shiva, decorado com o sol e a lua e Devi Ambika formando metade de seu corpo. Bela como dezenas de milhões de deuses do amor, e como um jovem de dezesseis anos, Ela-Ele sorri. Ela-Ele veste roupas, ornamentos e guirlandas de flores celestiais e o corpo Dela-Dele está untado com pasta de sândalo. Ela-Ele tem três olhos e está sempre em êxtase.”

“Aquele que é iludido por Sua Mâyâ, não vê enquanto vê, não compreende enquanto ouve, e não sabe a verdade enquanto lê.”

Kulachudamani Tantra
No Kulachudamani cap. I, Bhairava (Shiva) pergunta a Devi a razão pela qual, apesar de seu conhecimento das Kulasundaris, das doutrinas e Tantras, ele não alcança o êxtase(ananda). Bhairavi diz que Bhairava é o supremo Kula, mas é por causa da influência de sua Maya que ele não alcança ananada*. Devi diz a Shiva:
“Deva, quintessência do êxtase supremo, o Senhor de Kula, da própria essência do conhecimento do oceano de Kula Tantra, ocultado pela minha Maya.
Eu sou a Grande Natureza, consciência, êxtase, a quintessência, exaltada com devoção. Onde Eu estou, não há Brahma, Hara, Shambhu ou outros devas (deuses), nem há criação, preservação ou dissolução. Onde Eu estou, não há apego, felicidade, tristeza, liberação, bondade, fé, ateísmo, guru ou discípulo. Quando Eu, desejando a criação, cubro a mim mesma com minha Maya e torno-me tríplice, tornando-me extática em meu exuberante jogo de amor, Eu sou Vikarini, dando origem às várias coisas.”
“Ó, Ser que tudo sabe, se Eu sou conhecida, que necessidade há de escrituras reveladas e sadhana (disciplina)? Se Eu não sou conhecida, qual a utilidade de puja (oferendas) e textos revelados? Eu sou a essência da criação, manifestada como mulher, inebriada com desejo sexual, a fim de conhecer-te como guru, tu com o qual Eu sou uma. Ainda assim, Mahadeva, Minha verdadeira natureza ainda permanece secreta.” (trad. Mike Magee)
* Banerji, A brief history of the tantric literature, p224

Mahanirvana Tantra

No Mahanirvana Tantra, Sadashiva narra a Devî a essência do culto à Suprema Prakriti: (Ullâsa IV)
“Ouça, Ó Tu de Sorte e Destino superiores, às razões pelas quais Tu deves ser cultuada, e como o indivíduo, através disso, torna-se unido a Brahman. Tu és a única Parâ Prakriti da Alma Suprema, Brahman, e de Ti nasceu todo o universo – Ó Shivâ -
do qual tu és a Mãe. Ó Graciosa! o que quer que haja neste mundo, as coisas com movimento e as coisas sem movimento, de Mahat (Inteligência) até um átomo, deve sua origem e é dependente de Ti. Tu és a Origem de todas as manifestações; Tu és até mesmo o Nosso (Brahmâ, Vishnu, Shiva) lugar de nascimento; Tu conheces o mundo todo, entretanto ninguém conhece a Ti.
Tu és Kâlî, Târinî, Durgâ, Shodashî, Bhuvaneshvarî, Dhûmâvatî. Tu és Bagalâ, Bhairavî, e Chhinnamastakâ. Tu és Anna-purnâ (a doadora de comida), Vagdevî (a deusa da linguagem), Kamalâlaya (aquela que vive no lôtus). Tu és a Imagem ou Personificação de todas as Shaktis e de todos os Devas. Tu és Sutil e Densa, Manifesta e Velada, Sem Forma e entretanto com Forma. Quem pode Te compreender? Para a realização do desejo do cultuador, pelo bem do mundo, e a destruição dos Dânavas ( classe de Asuras, demônios, filhos de Danu), Tu assumes várias formas. Tu tens quatro braços, dois braços, seis braços, e oito braços, e seguras várias armas para a proteção do Universo.
Tu és a Imagem de tudo, e estando acima de tudo, Tu és a Mãe de tudo. Se Tu estás satisfeita, Ó Rainha dos Devas! então, todos estão satisfeitos.
Antes do Começo das coisas Tu existias na forma de Escuridão que está além da linguagem e da mente, e de Ti, através do desejo criativo do Supremo Brahman, nasceu o Universo. Este Universo, a partir do grande princípio Mahat até os elementos densos (terra, água, fogo, ar e éter), foi criado por Ti, uma vez que Brahman, Causa de todas as causas, é apenas a Causa Instrumental. É o Eternamente Existente, Imutável, Onipresente, Pura Inteligência desapegada de todas as coisas e, no entanto, envolvendo e existindo em todas as coisas. Ele não atua nem usufrui. Não se move nem é Imóvel. É a Verdade e Conhecimento, sem começo ou fim, Inefável e Incompreensível.
Tu, a Suprema Yoginî, movida pelo mero desejo dele, cria, protege e destrói este mundo com tudo que nele se move e é imóvel. Mahâkâla, o Destruidor do Universo, é Tua Imagem. Na Dissolução das coisas, Kâla é quem tudo devorará e por causa disso Ele é chamado Mahâkâla. Como Tu devoras o próprio Mahâkâla, Tu és a Suprema e Primordial Kâlikâ.
Como Tu devoras Kâla, Tu és Kâlî, a forma original de todas as coisas, e como Tu és a Origem e devoras todas as coisas, Tu és chamada Âdya Kâlî. Retomando, depois da Dissolução, Tua própria forma, escura e informe, Tu és a Única que permanece, Inefável e Inconcebível. Embora tendo forma, Tu és sem forma; embora sem começo, multiforme pelo poder de Mâyâ, Tu és o Começo de tudo; Tu és Criadora, Protetora e Destruidora. Por isso, Ó Afável! o mesmo fruto que é obtido através da iniciação no Brahma-Mantra pode ser obtido através do culto a Ti.”
(Mahanirvana Tantra, cap.IV, p.47-50, trad. Arthur Avalon)

De acordo com o conhecimento humano o mundo parece ser tanto puro como impuro, mas quando Brahma-jñana (conhecimento divino) foi adquirido não há distinção entre puro e impuro. Para aquele que sabe que Brahman está em todas as coisas e é eterno, o que existe que possa ser impuro? (Mahanirvana Tantra)

“A Verdade é a aparência do Supremo Brahman; A Verdade é a mais excelente de todas as austeridades (Tapas); cada ato é enraizado na Verdade. Do que a verdade, não há nada mais excelente. Portanto, foi dito por Mim que quando a idade do pecado de Kali for dominante, as maneiras de Kaula devem ser praticadas verdadeiramente e sem encobrimento.” (Mahanirvanatantra IV, 77-78, trad. A. Avalon)

Nirvana Tantra

“Brahma, Vishnu, Maheshvara [Shiva] e outros deuses nascem do corpo de Kalika, sem começo e eterna, e no tempo da dissolução, eles voltam a desaparecer Nela. Ó Devi, por esta razão, enquanto o ser vivente não conhece a suprema verdade em relação a Ela…seu desejo por liberação só pode dar origem a zombaria. Apenas de uma parte de Kalika, a Shakti primordial, surge Brahma, apenas de uma parte, surge Vishnu e a apenas de uma parte surge Shiva. Ó Deusa de formosos olhos, assim como rios e lagos não são capazes de atravessar um vasto mar, Brahma e outros deuses perdem sua existência separada quando entram no intransponível e infinito Ser da Grande Kalî. Comparada ao vasto mar do Ser de Kalî, a existência de Brahma e dos outros deuses nada é senão um pouco de água contida em um buraco feito pela pata de uma vaca. Assim como é impossível um buraco feito pela pata de uma vaca dar uma uma noção das insondáveis profundezas do mar, também é impossível que Brahma e os outros deuses tenham algum conhecimento da natureza de Kalî.”

Bhairava Yamala

“Ela é a própria luz e transcendente. Emanando de Seu corpo estão milhares de raios, dois mil, cem mil, dez milhões, cem milhões; não é possível contar seus grandes números. É por Ela e através Dela que todas as coisas móveis e imóveis brilham. É pela luz desta Devî (Deusa) que todas as coisas se tornam manifestas.”

Fonte: http://www.geocities.com/livrosagrados/agamas.htm

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Tantra, uma introdução completa

Maio 9, 2009 at 2:42 pm (Introdução, Tantra)

Tantra

Tantra (Sânscrito: तन्त्र; “trama” significa entrelaçamento ou continuidade), o tantrismo é uma filosofia religiosa que adora Shakti como a suprema divindade, e o universo é considerado uma trama divina entre Shakti e Shiva. O termo Tantra também se aplica aos textos relacionados com a adoração a Shakti. O Tantra lida principalmente com práticas espirituais e formas rituais de culto que visam a libertação da ignorância, do sofrimento (sansara) e a identificação com a suprema consciência.
O movimento Tântrico tem influenciado muitas tradições religiosas: hindu, Bön, budista e Jainista e se difundiu, em suas diversas formas pelo Sul da Ásia, China, Japão, Tibet, Coréia, Camboja, Birmânia, Indonésia e Mongólia.

David Gordon White, teve o cuidado de evitar uma definição rigorosa do tantra, mas oferece a seguinte descrição: Tantra é um conjunto de crenças e práticas cujo fundamento é o princípio de que o universo em que vivemos não é senão a manifestação concreta do aspecto energético da Suprema Consciência que cria e sustenta o universo. Procura apropriar-se e ritualmente canalizar essa energia, no interior do microcosmo humano, em processo libertário.

Segundo o Lama Tibetano Yeshe Thubten: … cada um de nós é a união de todas as energias universais. Tudo o que precisamos para obter a realização está disponível dentro de nós e emerge no momento preciso, simplesmente trata-se da espontânea percepção da unidade. Esta é a abordagem Tântrica.

Visão geral
Há um grande número definições de Tantra formuladas em diferentes escolas, mas, nem sempre necessariamente consistentes. Robert Brown observa que o termo tantrismo é uma construção feita por intelectuais ocidentais e que não é um conceito que vem de dentro do sistema religioso Hindu propriamente dito; ainda, desenvolve concepções opostas à tradição védica. Isto o torna potencialmente suspeito como ponto de vista independente.

Ao invés de um único sistema coerente, o Tantra é um acúmulo de práticas e ideias que tem entre suas características a utilização do ritual, o uso do “sensível” para acessar o “transcendente” e a identificação do microcosmo com o macrocosmo. O praticante tântrico pretende utilizar o prana (poder divino) que circula através do universo (incluindo nosso do próprio corpo) para atingir determinadas metas. Esses objetivos podem ser de natureza espiritual ou profana.

Um praticante do tantra considera a orientação de um guru necessária para a experiência mística, levando em consideração que, em parte, o tantrismo é transmitido através de uma linguagem secreta ou linguagem intencional (sandhā-bhāşā) com duplo sentido na qual um estado de consciência é expresso por um termo erótico e o vocabulário filosófico está eivado de significações sexuais.

“…Enigmas e adivinhações rituais foram utilizadas desde os tempos védicos e, à sua maneira, revelam os segredos do universo. No tantrismo estamos em presença de um sistema cifrado. solidamente elaborado, e que não chega a explicar a incomunicabilidade das experiências yóguico-tântricas; para expressar este tipo de experiências, há muito tempo usavam-se símbolos, mantra, letras místicas. A sandhā-bhāşā persegue outro fim: ocultar a doutrina aos não iniciados e, principalmente, projetar o yogin na “situação paradoxal” indispensável ao seu treinamento espiritual. Dada a polivalência semântica das palavras, o equívoco acaba de substituir o sistema comum de referência, inerente a toda linguagem usual. Essa destruição da linguagem contribui, também, para “quebrar” o universo profano e substituí-lo por um universo de níveis conversíveis e integráveis. O simbolismo, em geral, possibilita uma permeabilidade universal, abrindo aos seres os significados de uma realidade transobjetiva. No tantrismo, porém, a “linguagem intencional” torna-se um exercício espiritual, faz parte integrante da sadhana…”. Mircea Eliade – Le Yoga, Immortalité et Liberté.

No processo de trabalho com a energia (shakti), o praticante tântrico dispõe de várias ferramentas. Estas incluem o ioga, processo que levará o praticante “à união” com a suprema consciência. Igualmente importantes são o uso de visualizações da divindade e a verbalização ou Sua evocação através de mantras, que podem ser entendidas como ver, ouvir internamente e cantar enfaticamente o poder divino – levando a uma crescente tomada de consciência da vibração cósmica através da constante prática. A identificação e a internalização do divino é alcançada, muitas vezes, através da perfeita empatia com a divindade: o aspirante “torna-se” o Ishta-Deva ou a divindade escolhida para meditação.

Tradição Hindu
A tradição tântrica pode ser considerada paralela ou entrelaçada à tradição védica. As fontes primárias dos textos tântricos são os agamas que são, em geral, compostos de quatro partes: conhecimento metafísico (jnana), meditação (yoga), rituais (kriya), e prescrições éticas e religiosas (charya). As escolas e as diversas linhagens associam-se a determinadas formas da tradição tântrica.

André Padoux observa que na Índia, o tantrismo foi rejeitado pela ortodoxia védica. Maurice Winernitz, em sua revisão da literatura do Tantra, assinala que, embora os textos tântricos indianos não sejam formalmente hostis aos Vedas, eles sugerem que os preceitos dos Vedas são muito difíceis para a nossa era, e que, por esse motivo, um culto mais simples e mais fácil da doutrina foram formulados então.

N.N. Bhattacharyya lembra que os mais recentes autores tântricos baseiam-se em doutrinas védicas, embora os seguidores ortodoxos da tradição védica, invariavelmente, referem-se ao Tantra com espírito de repulsa, acentuando seu carácter anti-védico. Em contraste, o contemporâneo autor Swami Nikhilananda descreveu não só a estreita afinidade com os Vedas, mas também que o desenvolvimento do pensamento tântrico mostra a influência dos Upanishads, dos Puranas e do Yoga.

Os Tantras existem em forma Shaiva, Vaisnava, Ganapatya, e Shakta, entre outras. Em cada tradição tântrica os textos são classificados como Shaiva Āgamas, Vaishnava Pāñcarātra Saṃhitās, e Shakta Tantras, mas não existe uma linha demarcatória clara entre essas obras, e em sentido prático o termo Tantra é usado geralmente para esta classe de obras.

Evolução e involução (metafísica / ontologia)
De acordo com o tantra, Satchidananda: consciência (transcendental), ser (realidade) e bem-aventurança (felicidade) tem o poder de auto-evolução e, também, de auto-involução. Prakriti (substrato material) ou Shakti, evolui para uma multiplicidade de formas e coisas, mas, ao mesmo tempo, permanece sempre como consciência pura, ser e bem-aventurança. Neste processo de evolução, Maya mascara a Realidade e a separa em pares de opostos, como consciente e inconsciente, prazer e dor, e assim por diante. Mesmo não se apresentando como ilusão, cria condições limitadoras ao jiva individual.

Na dimensão relativa, Shiva e Shakti são percebidos como distintos. Segundo o Tantra mesmo no estado de evolução, a realidade (matéria) se mantém como consciência pura, ser e bem-aventurança. Na verdade, o Tantra afirma que tanto os processos sensoriais como o Jiva individual são por si próprios Reais. Assim o Tantra se distingue do puro dualismo e do não-dualismo do Vedanta ao introduzir a polaridade shiva-Shakti.

No entanto, a evolução ou a “corrente emergente” é apenas metade do funcionamento de Maya. Involução (corrente de retorno) conduz Jiva de volta à fonte ou raiz da realidade, revelando o infinito. O Tantra desenvolve um método para transformar o ‘processo evolutivo’ em ‘processo involutivo’, transformando os grilhões criados por Maya em forças que ‘libertam’ ou ‘liberam’. Esta visão enfatiza duas máximas do Tantra: “É preciso subir pela via por onde se cai” e “o veneno que mata torna-se o elixir da vida, quando utilizados pelo sábio.”

O método
O objetivo do tantrismo é sublimar, mais do que negar a realidade relativa. Este processo de sublimação consiste em três fases: purificação, elevação (despertar e ascensão de Kundalini), e a “reafirmação da identidade no plano da consciência pura.” Os métodos utilizados pela Dakshina Marga (caminho da mão direita) se opõem aos métodos utilizados no Kaula Marga (caminho da esquerda).

Práticas rituais
Devido ao vasto leque de escolas abrangidas pelo termo tantra, torna-se difícil e desafiador descrever, de modo geral, as práticas tântricas. Arthur Avalon (1918) forneceu clara distinção entre “Ritual ordinário” e ” Ritual secreto”.

Ritual ordinário (Shakta Sadhana)
O ritual ordinário ou puja pode incluir qualquer dos seguintes elementos: Mantra e Yantra. Como em outras tradições hindus e do yoga budista, mantra e yantra desempenham um papel importante no Tantra. Os mantras e yantras são instrumentos para invocar divindades hindus específicas, tais como Shiva e Kali. Desse modo, o puja pode envolver a utilização, como objeto de concentração, de um yantra ou mandala associado a uma divindade específica.

Identificação com a divindade
O Tantra, em seu desenvolvimento está associado ao antigo pensamento védico, assimilando, então, as divindades védicas, especialmente Shiva e Shakti, juntamente com a filosofia advaita vedanta em que cada um representa um aspecto do supremo Paramashiva ou Brahman. Essas divindades podem ser adoradas externamente com flores, incenso, e outras ofertas, como cantar e dançar, mas (internamente), mais importantes, são as meditações ligadas aos atributos do Ishta Devata. Os praticantes visualizam-se como a divindade ou experimentam o darshan (visão) da divindade.

Ritual Secreto (Pañcatattva)
Arthur Avalon no capítulo 27 -The Pañcatattva (The Secret Ritual) da sua obra Sakti e Sakta (1918), afirma que o Ritual Secreto (que ele chama Panchatattva, Chakrapuja e Panchamakara) é um culto que geralmente ocorre em um Cakra (círculo) composto por homens e mulheres … sentados em roda, a Shakti [a praticante feminina] fica à esquerda do Sadhaka [praticante masculino]. Por isso, é chamado Cakrapuja. … Existem vários tipos de Cakra – produzindo diversos efeitos em seus participantes.
Neste capítulo, Avalon também fornece uma série de variações e substituições para os “elementos” ou tattva do Panchatattva (Panchamakara) codificados nos Tantras e em diversas tradições tântricas e afirma que existe uma correlação direta com os Cinco Néctares e os Mahābhūta.

Visão Ocidental
O primeiro estudioso ocidental a empreender o estudo do Tantra com isenção e rigor metodológico foi Sir John Woodroffe (1865-1936), que escreveu sobre Tantra sob o pseudônimo Arthur Avalon. Ele é considerado “o fundador dos estudos tântricos”. Ao contrário dos intelectuais precedentes, Woodroffe foi um apologista de Tantra. Defendeu o Tantra contra os seus detratores apresentando-o como um sistema ético-filosófico compatível com os Vedas e o Vedanta. Como estudioso e praticante do Tantra da tradição Shiva-Shakta, Woodroffe compreendeu a integridade do sistema tântrico transmitindo-o com objetividade escolástica.

Desenvolvimento moderno
Após Sir John Woodroffe, um grande número de estudiosos começaram a investigar profundamente os ensinamentos tântricos. Entre estes incluem-se vários estudiosos de religião comparada e Indologia tais como: Agehananda Bharati, Mircea Eliade, Julius Evola, Carl Jung, Giuseppe Tucci e Heinrich Zimmer.

De acordo com Hugh Urban, Zimmer, Evola e Eliade conceberam o Tantra como “o ponto de convergência de todo pensamento indiano: a mais radical forma de espiritualidade com coração da arcaica Índia aborígine”, é considerado, por alguns, o ideal de religião da era moderna. Todos os três perceberam o Tantra como “o mais transgressivo e violento caminho para o sagrado.”

No mundo atual
Acrescentam-se a estas primeiras apresentações do Tantra outros autores mais populares como Joseph Campbell que ajudaram a trazer o Tantra para o imaginário popular do ocidente. O Tantra passou a ser visto como um “culto do êxtase”, combinando sexualidade com espiritualidade, ou como forma de ação catártica da repressão sexual.
Com a popularização do tantra no Ocidente ocorreram grandes desvios: para muitos praticantes modernos, o “Tantra” tornou-se sinônimo de “sexo espiritual” ou “sexualidade sagrada”, a crença de que o sexo em si deveria ser reconhecido como um ato sagrado que é capaz de elevar os seus participantes para um plano espiritual mais sublime. Embora o pop-tantra empreste muitos conceitos e a terminologia do Tantra Indiano omite algumas das seguintes características: a tradicional dependência do guruparampara (a orientação de um guru), a intensa prática meditativa, e as normas tradicionais de conduta – tanto morais como ritualísticas.

De acordo com o autor e crítico sobre religião e política, Hugh Urban:
Desde o tempo de Agehananda Bharati, a maioria dos estudiosos ocidentais criticaram severamente estas novas formas de pop Tantra. O “Califórnia Tantra” expressão cunhada por Georg Feuerstein é baseado em uma profunda incompreensão dos procedimentos tântricos. Seu principal erro é confundir êxtase tântrico … com orgasmo ordinário.
Fontes – Tantra: wikipedia, Mircea Eliade: wikipedia

Links
Mahanirvana tantra: Arthur Avalon

Shakti and Shakta: Arthur Avalon
Hymns to the Goddess: Arthur Avalon
Kularnava Tantra: Arthur Avalon
Hymn to Kali: Arthur Avalon
Kundalini, The Mother of the Universe: Rishi Singh Gherwal
Sat Chakra Nirupana: Purnananda Swami
Tantra: Shakti and Shakta from spiritandflesh.net
International Journal of Tantric studies
An Introduction to the Tamil Siddhas: Layne Little
Sriyantra – Sacred art and geometry of Tantra.
Shiva Shakti Mandalam
The 36 tattvas
Mahavidya / Tantra

Fonte: http://mokshadharma.blogspot.com

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Samadhi e Diksha – Bhava

Maio 9, 2009 at 12:54 pm (Chakras e Kundalini, Introdução, Samadhi e Diksha, Tantra) (, , , , , , , )

Samadhi e Diksha

Pontos de Palestras sobre
Tantra – Samadhi, Gozo e Êxtase
Proferidas pelo Mestre Bhava em vários lugares pelo país.
Parte I (Introdução)
A palavra Samadhi é um termo sânscrito que significa êxtase, êxtase sem ideação alguma, um estado de equilíbrio entre a identidade do Ser individual com o Ser total, em que todas as conceituações desaparecem. Este ser total é Brahma para os religiosos hindus e é o Real para os filósofos. 1, 1.1

Como todos nós estamos sendo este Real e não sendo, fazemos dois movimentos, um Tan e um Tra, estendemos-nos ao Real e voltamos para nossa identidade pessoal. Fica claro que o Samadhi não é este êxtase de ser o Real e depois ser o pessoal, o Samadhi é um êxtase definitivo, objetivo do Tantra. Portanto ao cabo da jornada o adepto da meditação tantrica atinge este estado de absoluta similaridade com o todo. 2, 2.2

Não existindo mais os sintomas e por outro lado não existindo mais os fetiches. Então o registro do Real e do Simbólico são idênticos, mas o sujeito não faz a psicose, pois não se apóia no outro para existir. 3, 3.1,3.2

Assim o método tantrico de kundaliní não vê a realização como algo separado do mundo e da vida, mas como um reconhecimento. Esta realização não está apoiada em outras dimensões ou possibilidades. Os métodos cognitivos também podem levar a este estado, mas deixam de fora o corpo e da mesma forma os métodos físicos, que deixam de fora o intelecto. Os dois geram desordens físicas ou psicológicas. O método tantrico é completo, pois faz no corpo e na mente. O método de obter o Samadhi pelo uso de Kundaliní é completo, ou seja, o gozo (bhukti) e a libertação (mukti) são a mesma coisa, no corpo e na mente. 4, 4.1

Com base nisto até as mais vis necessidades físicas são necessidades espirituais. Logo não existe uma hierarquia de atos ou ações mais puras ou impuras. Havendo, o indivíduo está “impuro psicologicamente” e todo ato de cura, de terapia ou de purificação visa integrar corpo e mente, como uma coisa só. 5

Quando o homem deseja, seu corpo deseja, sua mente deseja, ele todo deseja. O sintoma é um gozo na tentativa de gozar uma particularidade, pessoalidade, ser por aquilo que foi antes, agora através de um outro objeto. Ser o gozo da mãe. Por este motivo o entendimento do Tantra faz do desejo como sendo um desejo da mãe. O corpo é Shakti, desejo de gozo. 6

Somente a escola psicanalítica Lacaniana com o Estádio do Espelho, chegou ao nível de entendimento que o Tantra hindu. A criança é cuidada pela mãe, ela ainda não se assujeitou, ela é a mãe e seu gozo é o gozo da mãe, no estádio do espelho a criança se metaforiza como uma pessoa. Pela intervenção do pai, do Nome do pai. 7

O recalque do corte pelo Nome do Pai gera o sintoma, que é o gozo de algo recortado do Real, simbolizado, para fazer a função de objeto. Então a famosa frase: “lá onde isso era o sujeito pode advir”. Mas este gozo não é mais o gozo da mãe. 8

Como o Tantra surgiu no século IX e desapareceu no século XIV, o que sabemos deste desenvolvimento é sua práxis como Kundaliní Yoga. 9

Ora, por este viés, o sujeito “desperta” esta força de gozo como ela era em sua acepção primitiva e a leva adiante na sua personalidade atual, gerando as adaptações do corpo e da mente conforme ele era antes de ser castrado. O despertar é feito pelo mantra kurka , e passa-se a fazer a subida desta força antes enroscada, agora livre, deste gozo pelo corpo. Como este corpo e sua personalidade estão condicionados sofrem um revirão físico e psíquico. Por isto lhes disse que Samadhi é um êxtase sem ideação alguma, um estado de equilíbrio entre a identidade do Ser individual com o Ser total, em que todas as conceituações desaparecem. 10

O Diksha tantrico então tem duas fases, a iniciação no processo do Samadhi e depois a nomeação do sujeito do Samadhi. 11

É dito em muitos Tantras que o sujeito não pode fazer esta operação sem ter antes dominado suas paixões, isto significa exatamente: sem ter compreendido o que é o seu gozo e sintoma. Este processo de entendimento é que é muito próximo da clínica lacaniana e da didática analítica. Então a estratégia do Tantra é a de tomar o gozo como manifestação da mãe. Daí as variações matriarcais. 12

Parte II (Básico)

Sahasrara, significando mil, é o “Lótus de Mil Pétalas” localizado quatro dedos acima da corôa da cabeça.

Também chamado de Brahma-Randhra, é o encontro de Shiva e Shakti KundalinÍ. A Imortalidade é alcançada no Sahasrara Chakra. Antes de atingir a este chakra o Yogi é incapaz do asama-prajnata-samadhi .

Para atingir o estado consciente-inconsciente chamado Asama-prajnata-samadhi ( http://www.indianetzone.com/19/asamprajnata_samadhi.htm ) é necessário receber o Diksha de um Guru competente.

Neste estado, não há atividade da mente, nenhum conhecimento, não há nada a ser conhecido: É Conhecimento Puro; Sapientíssimo; tornar-se conhecido em todo; unificado e liberado.

Quando a Kundalini é levantada até Sahasrara chakra, a ilusão de autonomia individual é dissolvida. O Yogi fica concretizado, uno com o princípio cósmico que governa o universo inteiro dentro do corpo, Samadhi é o puro êxtase de total inatividade.

Até o sexto chakra o Yogi pode entrar em um transe em uma actividade, ou ainda permanecer dentro da consciência. Em Sahasrara Chakra o Prana se move para cima e atinge o ponto mais alto. A mente, estabelece-se no Shunya Mandala de puro vazio, o espaço entre os hemisférios.

Neste momento todos os sentimentos, emoções e desejos, que são as atividades da psique, são dissolvidos em sua principal causa. A união é alcançada. O Sat é Chit Ananda, a verdade, ser-êxtase.

Ele é o seu verdadeiro eu, e enquanto ele permanece no seu corpo físico, que ele mantém na consciência não dual, fica desfrutando do jogo do gozo sem se perturbar por prazer e dor, honras e humilhações.

Parte III (Avançado)

Samadhi, método e conhecimento

“Yoga é samadhi” e “sem Kundaliní não há samadhi” estas duas declarações, por si só chamam a atenção para a extrema importância do Samadhi dentro da prática do Tantra e do Yoga. Por uma questão prática, os respectivos significados de Tantra, Yoga e Samadhi estão muito próximos. Aliás, o significado literal do Tantra é uma integração entre duas coisas, Tan e Tra; de Yoga é aderir , união, ou de ligação de duas coisas. Do mesmo modo, Samadhi significa “colocar junto”, “integração” ou “conclusão”.

Os objetos que são utilizados para a finalidade da meditação são diferentes de acordo com a finalidade e a capacidade do praticante. Os objetos podem ir mais popularmente de um som ou Shabda, à luz interior, a vários pontos do corpo sutil, como Ajna (Terceiro olho) ou Nabhi chakra (círculo do umbigo).

O processo do Tantra sugere três modos de meditação ou Dhyana. São nomeadamente Sthula (sólido), Jyoti(luz, luminoso) e Sukshma(sutil-sonoro) dhyana. Sthula Dhyana é denominada como tal, pois é uma imaginação de um objeto que é percebido como real. O procedimento envolve a utilização criativa de uma visualização antes de colocá-lo na mente. Pode ser uma imagem de uma pessoa ou algum outro objeto, como um lótus, centro ou chakra no corpo, imagens etc
Jyoti ou Tejas-dhyana é uma contemplação do «interior», da luz interna. Esta luz ou chama pode ser contemplada no Muladhara Chakra, ou como a expressão luminosa da sílaba OM, na testa entre as sobrancelhas no centro (Ajna-Chakra). O terceiro método é Sukshma-Dhyana, que é a meditação de Kundaliní, é desperta pelo som, e com força ela sobe ao longo do caminho real e se funde com o verdadeiro Si mesmo. O Yogi alcança sucesso, SIDDHI, no Sukshma Dhyana por meio do Sambhavi-mudra. Sambhavi-mudra é descrito como o fixar com atenção no interior dos olhos “e ver” aí um ponto cômodo.

Estes três tipos de Dhyana podem ser vistos como progressivamente os mais sutis graus de meditação de primeiro grau (Shtula), segundo grau (Jyoti) e terceiro grau (Sukshma), respectivamente. Primeiro uma imagem com uma forma clara é meditada, em seguida, o objeto é simplesmente luz, sem nenhum tipo de fronteiras, e finalmente se torna uma verdadeira forma absorvidos na natureza do Si mesmo, como som.

Todas as formas de sucessão destas meditações exigem cada vez uma maior concentração. E cada sucessão fornece resultados mais potentes no que diz respeito ao estado de uma auto-identidade e na percepção da realidade. Um dos mais refinados e poderosos exemplos é o da Nadaanusandhanam (meditando sobre sons interiores) Esta mediação conduz a diferentes graus de Samadhis. A primeira distinção a ser feita no que toca aos diferentes graus de samadhi é entre Samprajnata-Samadhi e Asamprajnata Samadhi. A distinção é feita pelo sábio Vyasa em seu comentário como meio cognitivo e como meio super cognitivo, estados de auto-identidade, respectivamente.

O Samprajnata Samadhi envolve reconhecer um objeto, conhecendo profundamente a sua natureza e, em seguida, tornando-se um com ele. Em outros termos é um conhecimento Integral, o conhecimento do objeto. Asamprajnata se refere a um estado em que todos os objetivos e cognição são transcendidos, e identificou-se como o próprio objeto supremo, si mesmo.

Desta forma, uma iniciação, Diksha, pode ser dada como um meio do adepto meditar (1° Grau), até o samadhi (3° Grau) quando o iniciador passa para o adepto o seu Diksha mantra, em uma meditação de terceiro grau ou Sukshma. Nesta categoria há o Asamprajnata Samadhi quando Kundaliní chega ao Sahasrara Chakra, no topo da cabeça.

Basicamente, Asamprajnata-samadhi como uma disciplina re-cognitiva, é destinada a superar todos os entraves na realização. Neste Samadhi, não há a realização de qualquer extrato de subjetividade, mas como a verdadeira e própria fonte de consciência. Este si mesmo é muitas vezes referido como Atma, ou Purusha. O estado em que esta realização é feita é conhecido como Asamprajnata-Samadhi. Também pode ser chamado como o Nirbija-Samadhi, Nirbija significa Sem sementes, no sentido literal.
Bija significa “semente ou gérmen” Também pode significar a fonte ou a origem de alguma coisa. É também, ocasionalmente, utilizado como sinônimo de bindu (ponto), o que denota a essência da energia sexual como libido ainda não manifestada. Aqui, Bija como Samskara é definido como o psíquico, um fantasma de si mesmo que inclina a cabeça para perceber o mundo através de certos condicionamentos. Isto naturalmente predispõe-nos a uma identificação com manifestações da natureza, como a forma física externa de um corpo. Etc.. A forma mais refinada ou sutil é o aspecto mais elevado do intelecto, ou seja, buddhi, mas ainda é uma forma.

Os Vrittis são o modos de identificação da natureza, das coisas, com o si mesmo. Isso impede o si mesmo de ser verdadeiro, ser ele mesmo e puramente refletido na mente. Quando um tântrico ou um Yogi progride através das etapas de Samprajnata-Samadhi, ele reconhece os vrittis, as alterações psíquicas sistematicamente, e as que estão menos sujeitos à influência da distorção avidya (ignorância).Em cada um dos modos de identificação é semeado um Sabija, um ponto novo, um link, porque o si mesmo depende de cada objeto em particular de apoio para ter a experiência. No Samprajnata Samadhi novos objetos são colocados como meio do si mesmo ser ele mesmo através destes objetos, e no Asamprajnata Samadhi estes meios são destruídos, e não são substituídos. O objeto pode ser substituído, em qualquer manifestação, mesmo que seja grosseira ou sutil, ou nas faculdades de ego e percepção de si. Segundo a filosofia do Tantra e do Yoga, a identificação com um objeto, sutil ou refinado, ainda é uma identificação com um fantasma de si mesmo. Portanto, pode-se concluir que mesmo nas alturas da felicidade e do gozo continua a semente da ignorância de sua verdadeira natureza.

Para realizar e sustentar o sujeito ( Purusha) como sua verdadeira identidade, o estado de êxtase Nirbija-samadhi (samadhi sem semente) deve ser atingido repetidas vezes, através da meditação. O esforço final é a graça de ser o si mesmo como personificação. O objetivo final não é para gerar uma melhor karma ou Samskaras. A libertação consiste na dissolução e queima os que já estão presentes. Para ganhar a sua verdadeira base em si mesmo. Como esta essência é a mesmo em todos, isto o adepto precisa experimentar em seu desenvolvimento.

A reiterada realização do êxtase de Asamprajnata ou Nirbija-samadhi estabelece samskaras de nirodha, os gozos de libertação. Em primeiro lugar reconhece o procedimento, conhece seu fantasma e, em seguida, substitui os samskaras de identificação errada e depois os dissolve imediatamente como gozo e liberdade, Bhukti (gozo)e Mukti (liberdade).

Os padrões psíquicos e mentais comuns, incluindo subconsciente, forças motivadoras etc, são dissolvidos neste estado que é referida na literatura tantrica por termos como “unmani”, um ponto onde não há mais retrocesso. Essas expressões sugerem uma condição que é além da mente. No que diz respeito ao efeito do Tantra sobre a atividade mental como prática em questão, o conceito de “dissolução” é, muito mais adequado do que alternativas como a destruição, erradicação e transcendência, negação ou denegação.

Desde os vrittis e as suas causas que são o Samskara, os condicionamentos construtivos dos componentes da personalidade, são, portanto, essencial para a função psicofísica, eles não desaparecem, e sim são substituídos pela cognição gradual de cada êxtase por uma ligação com uma linguagem mais adequada a condição de liberto. Assim, não é apropriado rotular como “Morte” ou “morto” a parte mais elevada do estado de Samadhi. Estes são realmente purificados de todos os modos dogmáticos, e dos habituais modos de resposta automática, o caminho é apagado propositalmente para auto-controle sobre a criação e a vontade. Atingir este estado Supercognitivo repetidamente é em si uma forma de Tantra e de yoga, a derradeira a alcançar um estado permanente Kaivalya.

Desta forma a libertação, Kaivalya, é um fenômeno, não é um processo de substituição de sua matriz de linguagem, agora a linguagem segue o processo e não ao contrário.

Para quem não passa pela experiência, mas a imagina, pode parecer um não ser, e é para quem tenta fazê-lo por cognição, mas para quem sofre a experiência ela é um não ser que resolve, lá na origem, todas as questões, e é desta forma que os sintomas desaparecem e não se fetichizam, não precisam mais vir a tona como novos substitutos para o Ser.

Mestre Bhava: http://mestrebhava-tantra.blogspot.com

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Resumo sobre Tantra

Abril 20, 2009 at 8:28 pm (Introdução, Tantra)

O Tantra é uma ciência e um caminho espiritual complexo, e para sua compreensão é necessária uma visão profunda de sua alquimia, metafísica e teologia, sem o que a compreensão dos rituais secretos se confundiria com a milenar tradição do sexo prazeroso descrita nos kámáshastras (as escrituras voltadas para o prazer sexual como p.e. o Kámá-Sútra de Vatsayana e o Ananga Ranga de Kalyana Malla), e com os quais o Tantra nada tem a ver. Infelizmente, a maioria dos textos escritos para a divulgação popular somente trata do ritual sexual, denominado ritual secreto (rahasyapújá), com pouca ou nenhuma atenção aos aspectos fundamentais do Tantra, fazendo com que o sacramento ritualístico perca seu sentido, dando lugar à prática sexual não orientada e distinta do verdadeiro espírito tântrico. Portanto, o estudo do Tantra pede equilíbrio entre todos os aspectos, de forma a proporcionar ao estudante uma visão correta de seus fundamentos, tal como foram expostos pela tradição.

Fonte: srikulacara.blogspot.com

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